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OUVIDO
ENTUPIDO (e/ou doendo)
Com esta
queixa, muitas pessoas, procuram recursos médicos ou até
mesmo as farmácias. A coisa pode ser simples ou não. Este
problema ocorre, mais freqüentemente, no inicio do verão,
quando dos mergulhos em rios, piscinas ou mar, já que a
entrada de água sobre pressão nos ouvidos pode agravar
patologias locais pré-existentes.
O principal exame que fecha o diagnóstico é a Otoscopia,
feita com o uso de uma lanterninha própria que permite ver
o meato acústico externo até o tímpano (a famosa
membraninha onde se articulam os ossículos responsáveis
pela transmissão do som, do tímpano até as vias centrais).
No meato acústico externo é onde normalmente encontramos
as encrencas (infecções, grãos, areia, espuma, cerume,
etc.). Particularizando no cerume que costuma ser o vilão
mais freqüente, devemos tomar, logo as providências. Este
se forma da secreção fisiológica, natural do conduto
auditivo externo que tem função protetora do local contra
agressões externas, dentre outras. Chega a ter, até mesmo,
uma função repelente a insetos. Toda vez que mastigamos ou
abrimos a boca, a articulação temporo-mandibular altera o
assoalho do meato auditivo externo, subindo e descendo
fazendo com que cera vaporizada no local saia da orelha
como se fosse um spray de inseticida, desestimulando a
entrada de bichinhos (sabedoria da Natureza).
Quando a produção de cera aumenta muito, por vários
motivos, inclusive pessoais, forma-se a rolha de cerume. O
uso indiscriminado de palinetes para limpeza, ou
simplesmente, coçar o ouvido lá no fundo, pode empurrar a
cera mais para dentro e com isso ela se compacta formando
a rolha dura que entope o canal. Ocorre diminuição da
audição e desconforto até a dor. Fica impedida a
equiparação da pressão atmosférica antes e depois do
tímpano.
Quem já teve orelha entupida com cera durante alguns dias,
sabe o drama que isso representa. Nos deixa desesperados!
Às vezes, a semi-oclusão permite a passagem de água dos
mergulhos ou mesmo dos banhos para trás da semi-rolha,
chamemos assim e, não podendo voltar, fica encostando-se
ao tímpano e irritando (doutor, estou com água dentro do
ouvido...).
A pessoa que mostra estes sintomas deve, realmente,
procurar recursos com um Otorrinolaringologista (ORL) ou,
até mesmo, um Clínico Geral, se for adulto, ou Pediatra,
se for criança (crianças também têm estes problemas com
cera ou mesmo corpos estranhos que colocam no local e
depois começam a doer).
A otoscopia já nos dá informes das causas do desconforto.
Se for cerume impactado, deve ser removido o quanto antes,
para evitar problemas maiores e a remoção é um
procedimento médico relativamente simples (porém delicado)
e em alguns casos pode dar muito trabalho e há riscos.
A retirada da rolha por aspiração usando uma maquininha a
vácuo, é o modo menos traumático porque suga em vez de
assoprar, porém a dificuldade é que normalmente só os
especialistas têm tal equipamento. A lavagem de ouvidos é
o modo mais comum de enfrentar o problema. O uso uma
pequena pazinha que ajuda a puxar corpos estranhos do
conduto externo pode ser bastante útil. Quando é possível,
que dá tempo, como se diz, usamos um medicamento no ouvido
externo que tem ação solvente sobre a cera para facilitar
o trabalho. Basta pingar 2 a 3 vezes ao dia, 2 a 3 gotas
no local que facilita muito. No comércio, são vendidos com
nomes de fantasia de Cerumin, Oto-Cer, etc.
Quando o desconforto por dor é muito grande, devemos
tentar a remoção imediatamente. Dê ou não muito trabalho.
A chamada lavagem de ouvidos não deve ser feita em pessoas
que têm o tímpano perfurado, é óbvio, ou com graves
infecções locais. Deve-se prevenir complicações. Caso
contrário, o barulho do jato da água sobre o tímpano é que
incomoda um pouco, mas não é para doer.
Trabalho feito, reavalia-se o canal auditivo externo e o
tímpano e se não houver nenhuma lesão, nem há necessidade
de se pingar medicamentos. Sugere-se apenas observação e
nova otoscopia em 3 a 4 meses para verificação se não está
se formando nova rolha. Com a orelha limpa e sem dor, o
paciente tem condições de ouvir todas as recomendações
médicas numa boa.
É recomendável pelo menos uma vez por ano, qualquer pessoa
deixar-se examinar nos ouvidos. É um processo indolor,
apenas faz cócegas e podemos surpreender alguma coisinha
já ocorrendo. Preventivo otológico!
CONSELHO: Nunca enfie objetos estranhos nos ouvidos
para coçar, tais como: grampos para cabelos, tampinhas de
caneta tipo esferográfica BIC ou similar, palitos de
fósforo, etc., por causa da possibilidade de lesionar o
tímpano.
CURIOSIDADE: Você sabia que na China e na Índia
existem “leigos” (não Médicos), especialistas em orelha?
Acredito que só não usem otoscópio. Limpam os canais,
removem cera, aparam os excessos de pêlos e recomendam
cuidados. Atuam nas feiras livres de ruas, têm suas
cadeiras próprias, aventais, paninhos, instrumentos e são
muito ciosos dos deveres à semelhança dos barbeiros e
cabeleireiros. Os usuários chegam a formar filas para
serem atendidos em sua “toillete” de orelha. Questões e
costumes culturais.
DEDICATÓRIA: Dedico este pequeno artigo a um grande
amigo, Otorrino de Primeira Categoria, Dr. Luis de França
Ramalho Pinto, recentemente falecido e que deve ter feito
muitas lavagens de ouvidos e aliviado as dores de muita
gente. Obrigado, Dr. França!
Dr. Benedito Calixto Fortes Gatto (Clínico Geral do Centro
Clínico Peruíbe)– CRM 18002.
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