Peruíbe, 4 de julho de 2009. 

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Para entender o Teste Ergométrico

Conversa com amigos

Por: Dr. Ernandi Faria (Cardiologista – Centro Clínico Peruíbe) – CRM 8930

Três amigos conversavam. A chegada de um quarto fez com que mudassem de assunto. Todos tinham para com o “doctor”, como o chamavam, uma dívida de gratidão. Pedro, com 54 anos, foi operado de ponte de safena, há 4 anos, e estava em plena atividade física. Tereza, com 32 anos, sentia-se muito bem, apesar de engolir 5 comprimidos de remédios por dia, diariamente, para controlar a pressão. César, com 56 anos, o mais vigoroso dos quatro, freqüentava academia e deixou de tossir quando resolveu abandonar o cigarro. Manoel é um médico cardiologista, ponto de inflexão na vida dos três amigos.

Pedro era obeso, sedentário, tinha colesterol alto e fumava três cigarros por dia. Manoel sugeriu, após tê-lo examinado, que ele fizesse alguns exames complementares, entre os quais um eletrocardiograma. O resultado do eletro foi normal. Manoel solicitou um teste ergométrico. O teste de esforço mostrou “isquemia”. Ele tinha uma doença coronária e não sabia. O cateterismo foi um passo para a cirurgia. Tereza não sabia que tinha propensão para ser hipertensa. Na farmácia a pressão oscilava em torno de 14/9. Por orientação do “doctor” se submeteu a um teste ergométrico. Resultado: não tinha isquemia, mas, durante o esforço, a sua pressão foi a 23/12. Para diminuir a possibilidade de ter um derrame cerebral ou um infarto do miocárdio, atualmente, ela toma, diariamente, uma “mão” de comprimidos. O César, do “alto da sua sanidade” – como ele assim se expressa –, faz exercícios com habitualidade e, anualmente, faz uma avaliação cardiovascular. E exibe, com galhardia e orgulho, o seu vigor físico.

Aproveitando o mote, Manoel considerou que o teste ergométrico é um exame complementar, muito usado na clínica, para diagnóstico, prognóstico e avaliação funcional do sistema cárdio-respiratório. O exame clínico, o eletrocardiograma e a pressão arterial, em repouso constituem um excelente conjunto para o diagnóstico clínico. Quando o paciente se submete a uma atividade física a situação é completamente diferente. Durante o esforço, o coração aumenta o número de batimentos por minuto, a pressão arterial se eleva e algumas outras mudanças podem acontecer. O médico, examinando o paciente, antes, logo após o exercício e ao longo da fase de recuperação pós-esforço, pode obter informações de grande utilidade. O exercício pode desencadear arritmias cardíacas, promover dor no peito, faz aparecer sopros cardíacos etc. e isso ajuda muito no diagnóstico de doenças assintomáticas em repouso.

O teste ergométrico também pode ser feito em associação com fármacos radioativos, que lhe dá maior especificidade, ou num circuito de gases para determinar diretamente a capacidade aeróbica. Enfim, o teste ergométrico, um exame de risco baixo, deve ser feito quando o médico desejar apreciar, com mais profundidade, o estado físico de seu paciente.

Pedro, agora com um índice de massa corporal decente, parou de fumar, faz dieta apropriada, toma remédios, normalizou seu colesterol e está muito bem. Tereza mantém a pressão sob controle. César está cada vez mais vigoroso. Os três se submetem a teste ergométrico com periodicidade conveniente. E Manoel continua estudando e dispondo o conhecimento científico vigente aos seus clientes e amigos.

Após as considerações de Manoel, resolveram mudar de assunto. Doença é um "assunto que não lhes diz respeito".

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