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Para
entender o Teste Ergométrico
Conversa com amigos
Por: Dr. Ernandi Faria
(Cardiologista – Centro Clínico Peruíbe) – CRM 8930
Três amigos conversavam. A
chegada de um quarto fez com que mudassem de assunto.
Todos tinham para com o “doctor”, como o chamavam, uma
dívida de gratidão. Pedro, com 54 anos, foi operado de
ponte de safena, há 4 anos, e estava em plena atividade
física. Tereza, com 32 anos, sentia-se muito bem, apesar
de engolir 5 comprimidos de remédios por dia, diariamente,
para controlar a pressão. César, com 56 anos, o mais
vigoroso dos quatro, freqüentava academia e deixou de
tossir quando resolveu abandonar o cigarro. Manoel é um
médico cardiologista, ponto de inflexão na vida dos três
amigos.
Pedro era obeso, sedentário,
tinha colesterol alto e fumava três cigarros por dia.
Manoel sugeriu, após tê-lo examinado, que ele fizesse
alguns exames complementares, entre os quais um
eletrocardiograma. O resultado do eletro foi normal.
Manoel solicitou um teste ergométrico. O teste de esforço
mostrou “isquemia”. Ele tinha uma doença coronária e não
sabia. O cateterismo foi um passo para a cirurgia. Tereza
não sabia que tinha propensão para ser hipertensa. Na
farmácia a pressão oscilava em torno de 14/9. Por
orientação do “doctor” se submeteu a um teste ergométrico.
Resultado: não tinha isquemia, mas, durante o esforço, a
sua pressão foi a 23/12. Para diminuir a possibilidade de
ter um derrame cerebral ou um infarto do miocárdio,
atualmente, ela toma, diariamente, uma “mão” de
comprimidos. O César, do “alto da sua sanidade” – como ele
assim se expressa –, faz exercícios com habitualidade e,
anualmente, faz uma avaliação cardiovascular. E exibe, com
galhardia e orgulho, o seu vigor físico.
Aproveitando o mote, Manoel
considerou que o teste ergométrico é um exame
complementar, muito usado na clínica, para diagnóstico,
prognóstico e avaliação funcional do sistema
cárdio-respiratório. O exame clínico, o eletrocardiograma
e a pressão arterial, em repouso constituem um excelente
conjunto para o diagnóstico clínico. Quando o paciente se
submete a uma atividade física a situação é completamente
diferente. Durante o esforço, o coração aumenta o número
de batimentos por minuto, a pressão arterial se eleva e
algumas outras mudanças podem acontecer. O médico,
examinando o paciente, antes, logo após o exercício e ao
longo da fase de recuperação pós-esforço, pode obter
informações de grande utilidade. O exercício pode
desencadear arritmias cardíacas, promover dor no peito,
faz aparecer sopros cardíacos etc. e isso ajuda muito no
diagnóstico de doenças assintomáticas em repouso.
O teste ergométrico também
pode ser feito em associação com fármacos radioativos, que
lhe dá maior especificidade, ou num circuito de gases para
determinar diretamente a capacidade aeróbica. Enfim, o
teste ergométrico, um exame de risco baixo, deve ser feito
quando o médico desejar apreciar, com mais profundidade, o
estado físico de seu paciente.
Pedro, agora com um índice de
massa corporal decente, parou de fumar, faz dieta
apropriada, toma remédios, normalizou seu colesterol e
está muito bem. Tereza mantém a pressão sob controle.
César está cada vez mais vigoroso. Os três se submetem a
teste ergométrico com periodicidade conveniente. E Manoel
continua estudando e dispondo o conhecimento científico
vigente aos seus clientes e amigos.
Após as considerações de
Manoel, resolveram mudar de assunto. Doença é um "assunto
que não lhes diz respeito".
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